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E-lixo O lixo eletrônico e o ambiente em que vivemos
Publicado em : 07/09/2004 - Fonte : Elis Monteiro O Globo, 24.06.2004

Pare e pense: você está com, digamos, um celular estragado nas mãos — sem conserto mesmo — e sai em busca de um lugar para jogá-lo fora. De repente, se depara com aquelas lixeirinhas coloridas de reciclagem. Em qual delas você joga: na de plástico ou na de vidro? Pois é. A resposta correta, neste caso, não existe. Equipamentos eletro eletrônicos chegam a misturar vários tipos de materiais e, como não dá para desmontar o aparelho em casa (é até perigoso, não o faça) para separar as partes plásticas das metálicas, por exemplo, o lixo acaba sendo o destino natural.

Não deveria. Se você está com a consciência de cidadão funcionando direitinho, não vai admitir que o seu lixinho acabe indo parar em locais onde possa oferecer riscos à saúde do seu próximo e do planeta onde você vive, certo? Balançou a cabeça afirmativamente? Pois é, seja bem-vindo ao mundo daqueles que já se preocupam com o destino do e-lixo , tradução do termo “ e-waste ”, amplamente usado no exterior e que significaria “lixo hi-tech”, ou algo que o valha.

Só para se ter uma idéia do tamanho do perigo que se avoluma: um monitor “depositado” no ambiente pode ocupar um metro cúbico de espaço e durar 300 anos. Isso mesmo. Os bisnetos dos netos dos seus netos poderiam encontrar, no ano de 2304, o seu monitor velho de guerra. Achou pouco? No Brasil, são geradas três mil toneladas de celulares por ano. Como a previsão de obsolescência é de, em média, um ano e meio, as três mil toneladas poderão estar jogadas num lixão em breve. Com o decorrer dos anos, onde vai parar todo esse material?

Acertou quem disse que vai para o meio ambiente. O que fazer? Não comprar computador é radical demais, mas vamos lá: em vez de seguir o exemplo americano de trocar de computador e jogar o antigo “pela janela”, que tal dar preferência ao upgrade? Mais: em vez de jogar aparelhos no lixo, procure instituições como o Comitê para a Democratização da Informática (CDI), que recebe doações e devolve ao uso computadores tidos como perdidos.

Na esfera corporativa já estão sendo dados os primeiros passos. Um exemplo é o da Samsung, que anunciou, este mês, o compromisso de eliminar, aos poucos, o uso de substâncias tóxicas de suas linhas de produtos.

— Se as coisas não mudarem, no futuro estaremos debaixo de uma montanha de lixo tecnológico — diz John Butcher, coordenador da campanha contra substâncias tóxicas do Greenpeace.


Reciclagem: quando as empresas também atuam

Perfeito seria se toda a indústria, a exemplo da Samsung, adotasse a política de eliminar substâncias tóxicas dos equipamentos antes que eles cheguem ao mercado. Ou, como diz John Butcher, coordenador da campanha contra substâncias tóxicas do Greenpeace, criar aparelhos pensando não só em seu “nascimento” como também em sua “morte”. Mas, enquanto a indústria não se rende aos materiais biodegradáveis e pouco (ou nada) agressivos ao meio ambiente, algumas empresas buscam caminhos alternativos. Entre elas, a Dell e a HP.

O projeto de coleta de cartuchos vazios é praticado pela HP em mais de 40 países. Segundo a empresa, nos EUA cerca de 5% das embalagens dos toners vendidos pela HP lhe são retornadas. Os materiais que as compõem, como plástico, metal e alumínio, são reciclados e o material é repassado à Fundação Hewlett-Packard, que implementa ações ambientais. As fábricas da HP também usam o plástico para a geração de energia elétrica. Nos EUA, além da coleta de toners, a HP fomenta programas de reciclagem de hardware em geral. No Brasil, a coleta de toners vazios ainda está restrita ao ambiente corporativo de Rio e São Paulo, mas, garante, Luis Tedesko, gerente da área de suprimentos da HP Brasil, até o fim do ano a empresa vai expandir o programa a outros estados.

Segundo Tedesko, reciclar é apenas parte dos projetos da HP. O projeto “Design Environment” (algo como “design voltado para o meio ambiente”) visa a substituir materiais de maneira que os aparelhos tenham um descarte menos agressivo.

No ano passado, a Dell anunciou uma parceria com a Agência Ambiental dos Estados Unidos (EPA) numa campanha de reciclagem de computadores. A idéia é incentivar o upgrade — de preferência com peças vendidas pela fabricante, claro — em vez do descarte recorrente de aparelhos. À época do lançamento da campanha, o porta-voz da Dell, Michele Glaze, chegou a dizer à agência de notícias Reuters que “a melhor coisa a fazer com um computador pessoal é prolongar sua vida”. Agora, os sites de defesa do meio ambiente pedem que a Dell passe da teoria à prática. ( E.M. )


Descarte de micros já é preocupação mundial

A decisão da Samsung de eliminar gradualmente o uso de substâncias tóxicas na fabricação de aparelhos partiu de um estudo do Greenpeace, que testou TVs e celulares da empresa e encontrou elementos considerados nocivos, como retardantes de combustão usados em circuitos eletrônicos. Segundo John Butcher, do Greenpeace, trata-se de compostos tóxicos, persistentes (as moléculas são degradadas lentamente) que se acumulam no corpo humano e de animais. Na pesquisa, que, explica o Greenpeace, também testou produtos de outros fabricantes, foram encontrados ftalatos, retardadores de chama bromados e outras substâncias que, além de agressivas ao ambiente, oferecem riscos à saúde das pessoas.

— O retardador de chama bromado, usado no circuito impresso, por exemplo, pode causar problemas hormonais — diz Butcher. — Já o ftalato, usado em componentes eletrônicos para tornar o PVC mais maleável, encontrado em cabos de computadores, causa problemas no sistema reprodutor.

Estes e outros problemas dizem respeito apenas à exposição do ser humano a substâncias presentes em aparelhos. De acordo com Butcher, um dos objetivos do Greenpeace é evitar o acúmulo de e-lixo no meio-ambiente.

— Estas e outras substâncias são altamente poluentes, dentro e fora de casa. O problema pode parecer pequeno, mas este é um produto cuja produção aumenta e cada vez mais é descartado. Isso, sim, se torna um problema sério.

ONU pede aos países que reciclem seus computadores

No mundo, cerca de 130 milhões de computadores entram no mercado a cada ano. No ano de 2002 já eram mais de 1 bilhão de máquinas em circulação em todo o planeta. A preocupação com o acúmulo de todo esse material fez com que a Organização das Nações Unidas (ONU) resolvesse tomar providências. Em março, a entidade pediu aos governantes do mundo todo que adotem medidas que incentivem a reciclagem de computadores devido ao impacto dos componentes das máquinas no meio ambiente.

Para abalizar o pedido, a ONU divulgou uma pesquisa com dados alarmantes sobre a periculosidade das peças presentes nos computadores. Segundo a ONU, a fabricação de um micro que pesa 24 quilos exige, no mínimo, dez vezes mais este peso em combustível fóssil e produtos químicos. Os pesquisadores concluíram também que a fabricação de um micro e seu monitor precisa de 240 quilos de combustível, 22 quilos de produtos químicos e 1,5 tonelada de água, ou seja, o peso de um carro.

Como resultado prático da pesquisa, 13 países, a maioria deles na Europa, aprovaram as normas que prevêem a obrigatoriedade de reciclar computadores. Os EUA, no entanto, ficaram de fora — como de hábito — mesmo sendo os maiores consumidores de micros do mundo. Só para se ter uma idéia do perigo: nos EUA as vendas de computadores crescem cerca de 10% ao ano e estudos estimam que mais de 300 milhões de desktops e laptops se tornarão obsoletos por lá em poucos anos. Somado este dado à já conhecida prática de descarte dos americanos, os ambientalistas terão ainda muito trabalho de convencimento pela frente.

Enquanto isso, são criadas campanhas como a “Computer take back” , que tem como intuito principal dar sumiço (reciclando, de preferência) nos dejetos tecnológicos antes que eles acabem em montanhas de sucatas de países do Terceiro Mundo. Fotos divulgadas pela campanha mostram crianças chinesas separando peças de computadores. Infelizmente, segundo a Basel Action Network, apenas 10% dos computadores (e componentes de) usados no mundo passam por algum processo de reciclagem. O que acontece com o resto?

No Brasil, segundo Láercio Vasconcelos, engenheiro, professor e autor de vários livros de informática, ainda não há motivo para alarde.

— Existem empresas que compram sucata para tirar o ouro dos conectores. No Brasil o problema do lixo tecnológico ainda não é tão sério, porque a informatização é recente. E aqui temos falta de peças para reposição, o que acaba dando destino às peças usadas. Mas acredito que teremos problemas daqui a uns anos, embora o mercado de peças de reposição sempre vá existir — diz.

No Brasil ainda não existe legislação específica

Em vigor desde julho de 2002, a resolução 257 do Conselho Nacional do Meio Ambiente atribui às empresas a responsabilidade sobre o material tóxico que produzem. Além de informar nas embalagens se o produto pode ou não ser jogado no lixo comum, fabricantes e importadores são obrigados a instalar postos de coleta para reciclar o lixo ou confiná-lo em aterros especiais. A questão é que a medida só se aplica a pilhas e baterias e nada fala sobre o resto dos aparelhos.

Instalada em Jaguariúna, São Paulo, a empresa A7 Gerenciamento de Resíduos Tecnológicos é a primeira no país voltada para a reciclagem de eletroeletrônicos e computadores. No pátio da indústria, compactadores, trituradores, moedores e granuladores são capazes de reciclar até 94% de um computador. No mercado doméstico existe um comércio paralelo de peças que são incorporadas a micros montados — e são vendidas como novas. Ou as peças acabam parando em outros países, onde também se tornam um problema.

— Um eletroeletrônico não é biodegradável e quando vai para um aterro sanitário pode se tornar tóxico, além de ocupar espaço. Monitores chegam a durar 300 anos na natureza — alerta André Feldman, diretor de relação de mercado da A7.

No fim do ano, a A7 vai inaugurar filial em Manaus e está nos planos a abertura de lojas país afora para captação de material. Ou seja, será mais uma opção para que você passe com o celular longe do lixo.( E.M.)


 
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